Mostrando postagens com marcador #sorocabaapé #mobilidadehumana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #sorocabaapé #mobilidadehumana. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Completo menos ar!


Antigamente era comum quando se comprava um veículo, anúncios dessa forma. Diziam respeito a um veículo com supostamente todos os opcionais, mas, um deles, quase sempre um dos mais essenciais, ar condicionado ou direção hidráulica não estavam presentes naquele modelo.



Via completa implantada na rua da Penha em Sorocaba e rede cicloviária em Sorocaba.


Utilizamos uma analogia automotiva para tratar de um tema que na realidade vê o veículo automotor como algo que pode ser dispensado da dependência que temos hoje.

Na sexta-feira (22) participamos na Câmara Municipal da Audiência Pública - AP que tratou a respeito da revitalização da área central de Sorocaba.

A motivação do encontro foi à implantação do conceito de ruas completas na Rua da Penha, coração do centro da cidade, e que causou insatisfação em parte dos usuários da via, pela alegada ausência de informação em torno de como se daria a ação.

Havia a informação na imprensa e que foi veiculada de que seria um teste com início no dia 16/FEV e finalizado no dia 05/MAR.

Fato é que durante entrevista do titular da pasta de Mobilidade e Acessibilidade, concedida a uma emissora de TV e depois para a Cruzeiro FM, houve a informação de que no sábado havia sido registrada a passagem de 2 mil pedestres naquele trecho da via no período de uma hora, e que os estabelecimentos ali instalados teriam que se adaptar a uma nova realidade pois a fase agora é de privilegiar o pedestre.

Quase uma semana após essas falas, em que parte delas foi ratificada durante a Audiência Pública, uma publicação do ITDP nos indica que no dia 19/FEV, 1440 pedestres transitaram no local durante uma hora, com a passagem de 420 veículos no mesmo período, com a menção de cerca de 60% das pessoas chegam de ônibus ao local, segundo dados da Prefeitura.

Somos favoráveis a medida, de fato é uma tendência mundial, a Lei da Mobilidade Urbana do país assim estabelece o privilégio do transporte coletivo e do meio não motorizado em detrimento do transporte individual, mas no entanto alguns pontos nos chamam a atenção.

Infelizmente a Audiência Pública que seria o caminho para tirar dúvidas não possibilitou isso, pois a palavra foi dada praticamente o tempo todo ao titular da pasta, que diante de ter retornado de uma edição do Fórum Paulista de Secretários e Dirigentes Públicos de Trânsito e Transportes, realizado na cidade de Marília, não apresentou um relato com dados mais específicos da situação, como o período da avaliação dos tais 2 mil pedestres no sábado, apresentou apenas um vídeo com a fala do Presidente da ANTP, Ailton Brasiliense, apoiando a medida.

Durante a AP, por exemplo, se disse tanto que o foco agora é no pedestre, mas se exaltou a atuação de integrantes do Setor de Engenharia e Operacional do órgão de trânsito que retiraram os balizadores da via para que no pico do estabelecimento de ensino existente na via o trânsito viesse a fluir melhor.

Se a intenção de fato é testar, colocar em prática ainda que temporariamente uma situação que se pretende implantar em definitivo no futuro, seria essa uma atitude talvez equivocada.

Vale destacar que o estabelecimento de ensino existente na via tem 65 anos só naquele endereço e possui um volume considerável de alunos nos três turnos, um indicador esse que a implantação da via completa no trecho é um tanto delicada.

Outro ponto interessante é notar que se fala em mudar as formas pelas quais as pessoas realizam seus deslocamentos pela área central, com a eventual futura implantação de bolsões de estacionamento ou estacionamento rotativo regulamentado no centro expandido da cidade, ou mesmo com o uso do transporte coletivo.

Ocorre que para viabilizar essas ações é necessária toda uma revisão das condições das calçadas na área central da cidade, pois há trechos com calçadas bem ruins, inclusive em vias com o sistema de estacionamento rotativo já implantado. No mês de NOV/18 uma Tia minha foi vítima de uma dessas imperfeições na calçada e teve uma clavícula fraturada.

De outra banda, entendemos que a ação tão propagada no centro da cidade como de vanguarda, encontra um contraponto importante dentro do tema mobilidade urbana na cidade, mais especificamente em relação a mobilidade ativa com o uso de bicicleta.

Sorocaba nos últimos anos se destacou no cenário nacional como a “capital da ciclovia”. Até pouco tempo atrás, seus mais de 120km de extensão da rede cicloviária era maior do que a existente em algumas capitais.

Hoje o que se observa é que o investimento nesse modal está paralisado, alguns pontos das ciclovias apresentam imperfeições, já ocasionaram quedas de alguns usuários e talvez o golpe mais duro no modal bicicleta foi a retirada da ciclofaixa existente na Rua Paes de Linhares, a qual ligava a Zona Norte da cidade com a Zona Industrial e possuía uma demanda considerável de usuários.

Quando ela foi retirada, houve o argumento de que era inadmissível que aquele dispositivo tomasse parte da via, que deveria servir para as pessoas se deslocarem com mais tranquilidade, beneficiar a fluidez, e hoje o que se tem por lá são vagas de estacionamento onde antes havia a ciclofaixa.

Na esteira de perdas para os usuários das bicicletas, os quais são essenciais para contribuir com melhores condições de trânsito, de meio ambiente, tivemos as intervenções na Avenida Itavuvu, com o argumento das obras para a implantação do Sistema BRT na cidade.

As obras propriamente ditas nem haviam começado, mas os primeiros a sentir os efeitos delas foram os ciclistas com a implantação de tapumes no leito da ciclovia, nos pontos em que futuramente devem existir estações do BRT.

Será que não haveria uma forma de permitir que os ciclistas transitassem na avenida sem perder o espaço segregado à eles destinado?

São Paulo, capital do Estado mostra que durante a greve dos caminhoneiros e também com os problemas no elevado da Marginal Pinheiros muita gente deixou de utilizar o veículo automotor e migrou para a bicicleta, sendo esse um caminho benéfico, sem volta, mas por aqui, parece que a “magrela” perdeu prestígio.

De acordo com dados do CEBRAP apresentados durante a série “Em Movimento” no canal GloboNews, 31% das viagens de ônibus e 40% das viagens de carro poderiam ser feitas de bicicleta, gerando uma economia de até 34 milhões de Reais no SUS e evitaria 18% das emissões de carbono, números que mostram o quão benéfica é a bicicleta para o ambiente urbano.

Infelizmente em 2018 o número de ciclistas mortos em Sorocaba foi o mais alto desde 2012, pode ser que em razão disso o modal tenha sido preterido no momento, mas torcemos para que dentro dessa nova proposta de deslocamentos na cidade, com prioridade para pedestres, os usuários das bicicletas sejam lembrados como foram no passado.

Quanto às vias completas, que dentro das possibilidades técnicas e de atendimento à população, venham a privilegiar realmente os pedestres, sem eventuais prejuízos para moradores e comerciantes.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Sob demanda!

Conforme divulgado nos veículos da imprensa sorocabana, no dia 30/NOV a Prefeitura de Sorocaba irá iniciar a utilização de uma nova ferramenta.


Calçada em mal estado de conservação levou a queda de idoso, resultando em fratura na clavícula.


A tal ferramenta tem o nome de "WhatsApp do Trânsito", para receber denúncias de condutas irregulares por parte dos condutores, tentar educar (?) através de ações que a luz do Código de Trânsito Brasileiro - CTB deveriam ser constantes e a todo momento.

Você que acompanha o CamPitacos sabe que diante da falta de previsão, de um amparo para tal ação no Código de Trânsito Brasileiro – CTB e Resoluções do Conselho Nacional de Trânsito – CONTRAN, somos contrários a medida, lembrando ainda que legislar sobre trânsito é matéria exclusiva da União.

Mas como a decisão já está tomada, sem considerar os riscos que um cidadão a filmar ou fotografar outro no trânsito pode resultar, a sugestão que fazemos é que a população utilize fortemente a ferramenta de forma a mostrar para o poder público onde melhorias são necessárias.

As condições das calçadas, por exemplo. 40% dos deslocamentos são realizados a pé, mas em que condições estão os espaços destinados ao trânsito dos pedestres?


Irregularidade na calçada no Parque das Águas ficou mais de um ano sem receber atenção do Poder Público (foi consertada em 21/NOV/2018), que agora deseja receber denúncias de irregularidades no trânsito.


Na última quarta, 14/NOV na área central, uma tia idosa caiu e quebrou a clavícula direita em decorrência de uma calçada com mal estado de conservação, região essa já dotada de estacionamento rotativo regulamentado, portanto, em tese, deveria ter atenção especial do Município uma vez que ele se faz presente com a exigência do uso do cartão/ticket do estacionamento regulamentado e aplicação da penalidade pelo descumprimento da norma.

Também é comum nos depararmos com intervenções nas calçadas, em que buracos ficam abertos no aguardo de uma solução dos problemas, e por conta disso o pedestre precisa caminhar no leito da via destinado aos veículos.


Intervenções nas calçadas levam o pedestre a utilizar parte da via destinada aos veículos.


Sendo assim fica aqui a sugestão, utilize a ferramenta para mostrar as necessidades de melhorias, afinal de contas, dentro de um novo conceito de mobilidade urbana, acidentes com pedestres em calçadas podem e devem ser classificados como acidentes de trânsito.